Foi realizado no primeiro semestre deste ano na Faculdade de Letras e Ciências Sociais (FLCS) por ocasião do dia da língua portuguesa e das culturas da CPLP, um colóquio intitulado Língua e Literaturas em Português. O mesmo incluiu uma conferência cujo orador foi o Professor Carlos Reis, um académico da área das línguas que apresentou uma comunicação intitulada “Malhas que o cânone tece: a língua portuguesa em contexto de diversidade”, e uma Mesa Redonda sobre experiências de escrita que contou com José Luís Mendonça de Angola, Valter Hugo Mãe de Portugal e Lucilio Manjate de Moçambique.
A Directora Adjunta para Pós Graduação da FLCS, Profa Doutora Esmeralda Mariano agradeceu a presença dos palestrantes de Portugal, Angola e Moçambique e teceu algumas consideracoes sobre as colaborações da UEM com instituições como o Camões Instituto da Cooperação e da Língua.
Mariano afirmou que ainda é longo o caminho a percorrer em relação a aspectos relacionados com afirmacão e reconhecimento da diversidade nos nossos países e no mundo, e que a língua ainda é um factor de exclusão e portanto deve-se aproveitar os momentos de discussão para encontrar multiplas formas e criativas pensando que a diversidade é um bem.
“Os estudantes tem certamente coisas mais importantes para dizer e eles a razão da nossa existencia”, foram as primeiras palavras do palestrante que afirmou que não estaria alí se eles não existissem e que a sua intervenção constitui um desafio para os mesmos. "Tentar inquietá-los, não tranquilizá-los, manter o estudante em contante busca", acrescentou o orador.
Malhas que o Cânone tece: a língua portuguesa em contexto de diverside é, segundo o autor uma parafrase ou variação de um verso famoso de um poema "mediocre" de um grande poeta, no caso trata-se de Fernando Pessoa. Considera Reis que este um poema mediocre e que os grandes poetas tambem escrevem poemas mediocres. Um poema sobre a morte que suprime a juventude cruelmente. Um poema sobre emoções em tensão, guerra, saudades, os afectos estes sentidos de morte e extinção, segundo o orador, são sentidos condicionados por uma determinação sobrehumana "o império que traça um destino que é a morte", prosseguiu Reis.
É partir do poema de pessoa que Carlos Reis diz que a situação da língua portuguesa como idioma em contexto pós colonial e pós imperial merece reflexão, pois nela persistem traumas e condicionamentos com os quais nos defrontamos. Fala da diversidade em termos sociolinguísticos, ideológicos e políticos, assim como fala do cânone literário e das circustâncias da sua formação no contexto.
Carlos Reis apresenta o quadro conceptual do conceito de cânone, “autoridade do canone literario não é indiscutivel, ela é regularmente desafiada com base na sua irrelevância, é importante incluir no cânone obras sobre actores anonimos e marginalizados”. Reis diz que são sugestões por desenvolver e não são novas. “O que queremos dizer quando falamos em cânone literario em contextos literarios pós coloniais que contornos assume esse canone? Como se posiciona o seu estabelecimento quando a lingua que estabeleceu foi a lingua do colonizador?” Problematizou o académico.