Herança Bantu e Novas Formulações Linguísticas em Estudo na FLCS
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Criado em 04 setembro 2019
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Realizou-se recentemente na FLCS uma palestra intitulada Do empréstimo a tradução em Anibal Aleluia e Ungulani Ba Ka Khosa : herança bantu e novas formulações linguísticas, cujo orador foi o Linguísta Nataniel Ngomane.
Estudos recentes mostram influências da línguas bantu na formulação de uma nova variação do português, neste caso moçambicano. Existem muitos termos nas línguas bantu sem equivalente no português, o que leva a construção de novas palavras para acomodar a ausência de certos significados na língua portuguesa. É a partir de um texto ainda em construção, que Ngomane lança o desafio para que estudantes docentes e outros interessantes se debruçem sobre este fenômeno, que de certa forma, contribui para a expressão de realidades não exprimíveis em português.
“Nós precisamos de facto voltar as nossas línguas e viver a tradição para podermos andar para frente” diz Ngomane, e acrescenta, “os empréstimos nas línguas locais eram tão abundantes nas populações e ficamos com a sensação de que estavamos em presença de uma língua e civilização novas e isso ainda se mantém”.
O orador observa que “há muita realidade social e cultural da nossa língua que não tem palavras para serem expressas em português”, e diz também que “o facto de maior parte dos moçambicanos expressar-se nas línguas locais é ponto forte para as diversas formas de arte no caso da literatura e a musica”.
O linguísta fez a exposição de um arsenal científico e literário a partir do qual faz as suas constactações numa blibiográfica que inclui Perpetua Gonçalves e Feliciano Chibutane de ponto de vista académico. Mas o seu objecto de estudo são textos de Ungulani e Anibal Aleluia que tem em comum o uso recorrente de empréstimos das línguas bantu em Moçambique na mistura com norma culta do português de Portugal, “um traço fundamental”, refere Ngomane, que aproxima os dois autores é que são, ambos, muito inclusívos no uso de termos em línguas bantu no decurso da sua narrativa.

A palestra contou com estudantes e docentes de línguas, línguistica e literatura moçambicana. A mesma faz parte de um ciclo de palestras realizados pelo Departamento de Línguas da FLCS em comemoração do Ano Internacional das Línguas Indígenas pela UNESCO e seus parceiros, com o objectivo de consciencializar mundo da necessidade premente de preservar, revitalizar e promover as línguas indígenas no mundo inteiro.
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