Falando numa palestra subordinada ao tema “Da teoria à prática: a sociologia como profissão”, o sociólogo Hélder Jauana destacou que a sociologia não é apenas teórica, mas também estratégica. Segundo o palestrante, esta ciência influencia políticas públicas, processos de desenvolvimento, decisões empresariais e contribui para o estudo dos conflitos sociais.
O sociólogo acrescentou ainda que “a forma como ensinamos a sociologia faz com que a desliguemos da prática. Vivemos excessivamente na dimensão teórica, apresentamos os grandes pensadores, mas não estabelecemos a devida ligação com a dimensão prática”.
O evento, organizado pelo Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, surge da necessidade de explicar de forma clara o que é a sociologia, bem como incentivar os estudantes do primeiro ano a compreender a sua relevância na sociedade e as diversas áreas de atuação possíveis.
Segundo Hélder Jauana, a sociologia permite compreender as razões pelas quais determinados comportamentos se tornam recorrentes numa sociedade. “Os trabalhos que produzimos chegam aos governantes, às empresas e às comunidades? Isto tem a ver com o posicionamento que assumimos. Precisamos adotar um novo posicionamento, para que os estudantes de sociologia tenham a certeza de que escolheram o curso certo”, afirmou.
O palestrante defendeu ainda que a sociologia é extremamente relevante para Moçambique, sendo capaz de responder a questões profundas relacionadas com os desafios e falhas das políticas públicas no país. Para Hélder Jauana, a sociologia não só explica a sociedade, como também a prevê, orienta e transforma.
Durante a palestra, foram apresentados os diferentes campos de atuação da sociologia, bem como as lacunas que podem e devem ser preenchidas pelos sociólogos.
Hélder Jauana destacou que a sociologia é uma área com inúmeras oportunidades ainda pouco exploradas em Moçambique. Áreas como avaliação de projetos sociais, análise do comportamento das comunidades, desenho de políticas públicas, desenvolvimento local, atuação em ONGs, empresas e mercados, bem como intervenções comunitárias, foram apontadas como campos que necessitam de maior envolvimento dos sociólogos moçambicanos.
“O problema não é o mercado, mas sim o nosso posicionamento nele. Temos de mudar o posicionamento do sociólogo no mercado. O mercado não rejeita sociólogos, rejeita sociólogos invisíveis. Precisamos sair da invisibilidade que nós próprios criamos”, ressaltou.
Para Hélder Jauana, diante dos desafios atuais, é urgente a adoção de um novo posicionamento por parte dos profissionais da área.
“É preciso que nos apresentemos como analistas de dados sociais, consultores estratégicos, mediadores de conflitos, influenciadores de políticas públicas e empreendedores sociais”, afirmou.
O palestrante concluiu destacando que “Moçambique não precisa apenas de engenheiros ou médicos; precisa também de profissionais capazes de compreender as pessoas. E os únicos preparados para compreender os processos que ocorrem na interação social são os sociólogos”.
