A Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane (FLCS) recebeu a visita dos Professores Doutores Augusto Nascimento e Eugénia Rodrigues, da Universidade de Lisboa, no âmbito do programa Erasmus+.
Rodrigues 03Rodrigues 02Na palestra, foram estabelecidas pontes de reflexão a partir das investigações desenvolvidas pela Professora Doutora Eugénia Rodrigues, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que abordou a circulação da mandioca em Moçambique, entre meados do século XVIII e meados do século XIX, e pelo Professor Doutor Augusto Nascimento, que se debruçou sobre as culturas e ideologias políticas nos processos de emancipação em África.
Eugénia Rodrigues, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, tem desenvolvido investigações no vale do Zambeze e na Ilha de Moçambique, centrando-se no surgimento e na utilização inicial da mandioca no país. No âmbito das suas pesquisas, constatou que a introdução da mandioca em Moçambique ocorreu por duas vias: através das trocas comerciais e das rotas marítimas.
Segundo a Professora Doutora, o uso acentuado da farinha de mandioca deveu-se à expansão progressiva do mercado interno e externo, associado ao tráfico de escravos.
“A expansão do cultivo deveu-se às políticas coloniais destinadas a reduzir as crises alimentares, e não a sustentar o tráfico de escravos, embora este tenha influenciado o cultivo da planta”, afirmou Eugénia Rodrigues.
Estudantes e docentes foram desafiados a pensar a História para além do Estado e da política, olhando para aspectos que, à primeira vista, podem parecer menos relevantes, mas que acabam por influenciar os processos históricos.
Por sua vez, o Professor Doutor Augusto Nascimento apresentou um conjunto de questões acerca das culturas e ideologias políticas nos processos de emancipação em África, estabelecendo igualmente ligações com o contexto moçambicano.
Segundo o palestrante, em Moçambique existe um imaginário de nação fortemente ligado à luta de libertação, sendo frequente a produção de narrativas baseadas nas experiências individuais desse período, o que contribui para a construção de uma visão do país assente na luta.
Para o docente, embora existam visões associadas à pluralidade cultural simbólica dos diversos grupos presentes em Moçambique, tende a dar-se menor atenção a outras dimensões culturais, privilegiando-se o papel da luta armada no processo de libertação e na formação do Estado-nação.
O Professor questionou ainda a possibilidade de subalternização de aspectos fundamentais para a vida quotidiana das populações na construção de um sentimento de coesão política e de identidade nacional.
Ao longo da palestra, os Professores da Universidade de Lisboa partilharam experiências no domínio da investigação histórica do país, tendo sido igualmente destacada a necessidade de valorizar as práticas de investigação, de modo a proporcionar aos estudantes um contacto mais próximo com a pesquisa.

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